O Crossover trash still lives: O melhor album de 2015? – Os Dr. Living Dead chegaram e afirmaram-se… haja pescoço para tanto headbanging!!!

Dr. Living Dead! são um quarteto de… mascarados… é isso aí, olhem lá os meninos:

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Pois é… fazem lembrar este “homem-caveira” dos ST, não é?:

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A banda homenageia a Venice Scene e, em particular os Suicidal Tendencies. Esta homenagem e influência não se faz apenas sentir na apresentação da banda em palco, mas também na própria música, praticando um crossover trash old school misturado com um crossover trash moderno… e reinventado… o vocalista até, em certos momentos, faz lembrar o timbre de Mike Muir (claramente, fortemente influenciado por ele).

Mas as influencias não se resumem aos Suicidal Tendencies, também se registam as influencias de Slayer e Anthrax e outras. Segundos os próprios, as suas maiores influências são: “Slayer, Anthrax, SOD, Suicidal Tendencies, Excel, Dismember” (a entrevista completa aqui).

Esta banda tem vindo a afirmar-se com um dos maiores nomes do “nem wave of trash bands”… e ainda agora mal começaram!!!

Bem, chega de conversa. Vamos ouvir os Dr. Living Dead. Atenção, se estão no trabalho não pensem sequer em colocar este álbum a tocar, é que correm o risco de dar por vocês aos saltos e a abanar o capacete como se não houvesse amanhã. Cuidado, muito cuidado!! É que é impossível resistir ao Trash destes meninos-caveira from Outer Space!

O novo álbum, de 2015:

Novo vídeo:

Estaremos perante o melhor álbum trash de 2015? Só o tempo o dirá, mas para mim… vai ser difícil batê-los.

Fiquem com outros registos da banda:

Excel, Beowulf, Uncle Slam, Los Cycos… e a Cena de Venice! Ou… como tudo começou com os D.R.I.

California, L.A., mais propriamente Venice Beach… “nasceu” o crossover trash, uma mistrura de skate punk, harcore, heavy metal e trash metal…

Já aqui falámos de Suicidal Tendencies, talvez o expoente máximo deste género do metal, mas outras bandas merecem destaque, principalmente os Excel, uma das minhas bandas preferidas.

Se este estilo se notabilizou em Venice beach, ganhando contornos de lenda, o crossover trash, segundo é afirmado por muitos, nasceu no Texas. Sim, isso mesmo, pois muitos afirmam que a primeira banda do género, a banda que deu origem ao estilo, foram os D.R.I. A banda depois mudou-se para a California, mais propriamente San Francisco. A banda ganhou bastante notoriedade e os próprios Slayer afirmaram que o seu trash foi influenciado fortemente pelos DRI. As bandas inclusive tornaram-se amigas e os D.R.I abriram muitas vezes para Slayer, que chegaram mesmo a gravar uma cover de um música dos D.R.I.

Até o logotipo das bandas se “confundia” em t-shirts dos D.R.I.:

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Imagens de tournés dos Slayer, com D.R.I.:

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Porém, foi em LA, em Venice, que o estilo se aperfeiçou e nasceu a Cena de Veneza. Músicos. Skaters e surfistas, entre eles Jay Adams, dos Dogtown, conviviam com músicos. O punk skate fundiu-se com o heavy metal, com o funk, com o trash metal e nasceu o crossover. Nasceram bandas como Sucidal Tendencies, Infectious Grooves, Los Cycos, No Mercy, todas com o Mike Muir como frontman, e ainda bandas como os grandes Excel, os fantásticos Beowulf, e ainda Uncle Sam etc.

Umas era mais punk, outras mais metal, outras mais funk, outras mais hardcore, outras mais trash metal, mas a fusão dos estilos estava presente em todas estas grandes bandas. Umas tiveram vida curtas, outras uma vida mais longa, umas acabaram, outras acabaram e recomeçaram…

Uncle Sam, Beowulf, e Excell, são sem dúvida das bandas de crossover trash que, àparte os Suicidal Tendencies, mais fizeram pelo estilo. São também as que mais influencia têm do trash metal, produzindo um crossover trash agressivo e cru!!!

O  Venice Scene era também conhecido como o Suicidal Scene,  eram todos amigos dos Sucicidal e iam trocando de membros entre si, incluindo agentes, e muitos gravaram na editora do Mike Muir (frontman dos ST).

O movimento crossover trash já não tem a mesma força dos anos 80, quando era bastante forte. Quem era skater, surfista (no tempo em que os surfistas eram punks, hardcores ou trashers, e que quando não estavam a skatar ou a surfar estavam a fumar droga, tocar metal ou a curtir concertos de punk e de metal!!!). O movimento acabou enquanto tal, pelo menos no sentido que tinha no passad, no entanto ainda continua a produzir frutos e entrou para a história como mais uma história do poder do metal se reescrever em novas formas!!!

Venice Scene for life! Crossover trash for life!

Comecemos por mostrar o trash punk dos D.R.I.:

Digam lá que não se nota perfeitamente a influencia dos D.R.I. no som primordial dos Slayer?!

E entremos agora na Venice Scene:

Dois albums completos dos Excel:

Um album inteiro de Beowulf:

Album inteiro de Uncle Slam:

Album inteiro de No Mercy:

Los Cycos:

Infectious Grooves:

Neighborhood Watch:

Compilação de 1985 da cena de Venice:

Compilação de 2007 da cena de Venice (homenagem à primeira compilação), música “That Ain’t My Baby” – Second Coming, com a participação do Skater dos Dogtown, Jay Adams na voz:

Moscow Music Peace Festival – renascer para o Metal

Eu tinha 11 anos quando ocorreu o Moscow Music Peace Festival, 4 anos depois da Perestroika. Durante muitos anos os rockeiros e metaleiros (imagino o submundo da compra e venda de discos!!!) estiveram fechados em si, afastados do mundo ocidental. A guerra fria terminou… A Perestroika permitiu um novo começo. Em 1989 os rockeiros e metaleiros poderem por fim ver os seus ídolos de perto. O resultado… foi catastrófico! No bom sentido! Um renascimento!

Quando o festival começou, todos se encontravam vestidos, militares e civis, sentados ou em pé, sempre calmos, embora alegres… mas… a meio do festival  já muitos tinha tirado as t-shirts e os casacos, solto os cabelos, saltavam e pulavam, gritavam… a loucura foi-se instalando.

Skid Row, de Sebastian Bach, começam por aquecer o estádio… depois Cinderella acendeu o rastilho da bomba que viria a explodir depois…

Depois veio Bon Jovi, ainda nos seus tempos gloriosos do country hard rock… mas já a virar para o Pop. Aliás, a presença dos Bon Jovi criou problema entre as bandas, que não gostaram do facto dos Bon Jovi terem tido direito a um set maior e por serem uma banda mais pop e com toda uma produção teatral… quando os concertos estavam previstos serem de puro rock and roll… sem bullshits!!!

Seguiu-se um Jam entre Bon Jovi, Cinderella e Scorpions!!!

Motley Crue mostrou o lado sleazy do metal e o bicho pegou fogo!!! Já eram poucas as mulheres que não estavam encavalitadas em cima de um qualquer russo, mexendo os braços frenéticamente e agitando os cabelos que tinham estado presos por tantos anos.

Depois veio uma banda da casa, a banda russa Gorky Park, formada em 1987, aproveitando o facto de Gorbacheuv já ter libertado as amarras da censura. Ainda assim, a banda foi para os EUA tentar a sua sorte junto de uma editora americana. Deram um bom concerto e animaram a malta, afinal, eram russos entre russos…

E eis que entra em palco Ozzy Osbourne! Trazia na sua crew um jovem Zack Wilde (com 21 ou 22 anos) que cedo mostrou que era já… o melhor guitarrista do Mundo… Deu um show de guitarra que deixou os russos de boca aberta… não a fecharam mais até ao final do festival!!!! Ele rodopiou no chão enquanto solava, tocou com os dentes, saltou e saltou sempre a tocar sem falhar uma nota, pinch harmonics saiam em catadupa, acho que deve ter sido um recorde!!!

Ozzy partiu a loiça toda e Zack destruiu todos os cacos… reduzindo-os a cinzas. O bicho pegou fogo e os russos já gritavam e gritavam num imenso orgasmo colectivo! Isso mesmo! Sem papas na língua! Foi sem dúvida o melhor dia das suas vidas!!!

Por fim vieram os Scorpions. E seguiu-se uma Jam final. Os russos ficaram doidos!!! Se eu gostava de ter sido russo nesse dia? Claro que sim!!!!

O festival foi uma loucura para os russos… Uma loucura. Mas nem tudo foram rosas. O festival era para apoiar a Make a Difference Foundation e os musicos das bandas foram acusados de terem usado drogas no backstage, portanto, contra o espirito do evento. Aconteceu também um clash de egos entre as bandas. Já falámos de Bon Jovi, cuja presença criou algum mau ambiente entre as bandas, mas também Ozzy recusou tocar antes de Motley Crue (estes aceitaram tocar antes de Ozzy Osbourne, mas conseguiram que no video do concerto através de edição ficassem depois de Ozzy, no que foi entendido com uma traição ao que tinha sido acordado com Ozzy). Enfim, entre as bandas aconteceu alguma guerrilla, e já se notavam indicios do que viria a ser a queda do hard rock/glam metal/hair metal!

O festival, esse, entrou para a História do Metal como um dos melhores festivais de sempre do género!!!

Eu tinha 11 anos… e pela primeira vez vi os deuses do metal na TV. Depois, anos mais tarde, um colega meu tinha a gravação em K7 video do concerto e passámos (com 17/18 anos) algumas noites a ver o festival e a rockar que nem uns doidos. Nunca irei esquecer este festival. Foi como que um renascimento… eu renasci… para o metal! Não foram só os russos que renasceram com a Perestroika… também eu… renasci… para uma nova vida! A vida do Metal! Hel yeah!

Ozzy no Moscow Music Peace Festival

O Festival: